Fundamentos da Fé Que Nos Foi EntregueA Igreja Que Ele Edifica

A Comunhão dos Santos

Ninguém é chamado por Cristo para segui-lo sozinho. A fé que Deus planta num coração ele mesmo tece a outros corações — e chama isso de comunhão. A Verdade Que Confessamos A comunhão dos santos é a realidade de que todo crente, unido a Cristo, está também unido a todos os que pertencem a Cristo.…

Por Redação4 min de estudo

Ninguém é chamado por Cristo para segui-lo sozinho. A fé que Deus planta num coração ele mesmo tece a outros corações — e chama isso de comunhão.

A Verdade Que Confessamos

A comunhão dos santos é a realidade de que todo crente, unido a Cristo, está também unido a todos os que pertencem a Cristo. Temos comunhão uns com os outros porque, antes de tudo, temos Cristo em comum. Não se trata de simpatia ou de conveniência social, mas de uma comunhão que nasce de nossa união comum com Cristo e é realizada pelo Espírito que habita em seu povo.

Por essa união, os membros do corpo pertencem uns aos outros. Partilham dons, sofrimentos, alegrias e responsabilidades, e devem uns aos outros o cuidado que um corpo saudável presta a cada uma de suas partes. Essa comunhão não é opcional nem periférica à fé cristã — é parte do que significa estar em Cristo.

Fundamento Bíblico

Paulo usa a imagem do corpo para explicar essa comunhão em 1 Coríntios 12. O corpo tem muitos membros, e nenhum deles pode dizer aos outros “não preciso de você” (v. 21). Se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um é honrado, todos se alegram com ele (v. 26). Essa não é apenas uma metáfora bonita — ela descreve uma realidade da vida cristã. Ninguém pertence a Cristo sem, ao mesmo tempo, pertencer ao corpo de Cristo.

Romanos 12 aprofunda isso pelo lado dos dons. Cada crente recebeu uma graça diferente — profecia, serviço, ensino, exortação, generosidade (vv. 6-8) — e nenhum desses dons foi dado para uso privado. Um dom que não é colocado a serviço do corpo deixa de cumprir o propósito para o qual foi dado, porque somos, todos juntos, “um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros” (v. 5).

Hebreus adverte contra “deixar de nos congregar, como é costume de alguns”, e chama, ao contrário, a estimularmos uns aos outros ao amor e às boas obras (10.24-25). A comunhão cristã não foi feita para ser vivida em isolamento voluntário; ela normalmente exige presença, constância e compromisso com uma comunidade concreta. João completa o quadro mostrando sua dimensão espiritual: nossa comunhão uns com os outros nasce da comunhão que temos com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo (1 João 1.3,7). A comunhão cristã, portanto, não é meramente social; ela existe porque compartilhamos juntos a vida que recebemos de Cristo.

O que já vimos em Atos 2 confirma tudo isso em ação: os primeiros cristãos perseveravam juntos, partiam o pão e colocavam seus próprios recursos a serviço das necessidades uns dos outros (2.44-46). A comunhão dos santos não é doutrina abstrata — ela aparece visivelmente desde os primeiros dias da Igreja apostólica.

Diante disso

Diante disso

Se a comunhão dos santos for apenas um extra opcional da vida cristã, a fé encolhe para “eu e Deus” — uma religião privada, sem corpo, sem os outros. Mas o Novo Testamento não conhece esse tipo de cristianismo. Quem deliberadamente se isola do corpo despreza os meios pelos quais Deus decidiu cuidar de seu povo: deixa de receber os dons que Deus concedeu a outros para seu bem, e deixa de colocar seus próprios dons a serviço deles.

Reconhecer essa comunhão como parte da própria fé muda a forma como olhamos para a congregação local — não como plateia de um evento semanal, mas como o lugar onde recebemos e damos o que Cristo distribuiu ao seu corpo. Isso pede humildade para receber ajuda, e generosidade para oferecê-la; pede presença constante, não visitas ocasionais. O povo que Cristo chamou de seu não foi chamado apenas para crer nas mesmas verdades, mas para compartilhar a mesma vida. Pertencer a Cristo significa também aprender a pertencer ao povo que ele chamou de seu.

Doutrina que forma discípulos.
Não doutrina que agrada plateias.

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