A Vida Que Ele OfereceFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
Se estamos em Cristo, unidos a ele numa vida nova, por que ainda lutamos contra o pecado? E o que garante que essa vida, uma vez começada, chegará ao fim? A resposta está em duas verdades que, juntas, sustentam toda a caminhada cristã. Deus continua a obra que começou em nós, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, e é ele mesmo quem a preserva até o fim. A justificação nos declarou justos de uma vez por todas; a santificação nos torna, de fato, mais santos, dia após dia — e do começo ao fim, ambas são obras da graça de Deus.
A Verdade Que Confessamos
Confessamos que a santificação é a obra contínua e progressiva do Espírito Santo, que transforma o crente à imagem de Cristo. Diferente da justificação, que é um ato definitivo e completo de Deus, a santificação é um processo. O pecado já não reina sobre o crente, mas ainda habita nele. Por isso, a vida cristã é uma caminhada de luta real contra o pecado e de crescimento real em santidade. A santificação é obra de Deus que envolve nossa participação real: o Espírito opera em nós, e por isso lutamos, resistimos e buscamos a santidade. Confessamos, além disso, que essa obra não fica à mercê da instabilidade humana. Aquele que começou a boa obra em nós é fiel e a completará. O Espírito que habita no crente é o selo que garante sua herança. E ninguém arrancará das mãos de Cristo aquele que lhe pertence. Perseveramos porque Deus nos preserva. Nossa perseverança não é um esforço isolado e incerto, mas fruto de sua fidelidade. E o destino final dessa obra é a glorificação. Aquele que Deus justificou, uniu a Cristo e vem santificando, ele também glorificará — conformando-o, por fim, plena e definitivamente, à imagem do Filho.
Fundamento Bíblico
Filipenses 1.6 estabelece o fundamento da confiança do crente: “estou certo disto, de que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus.” Romanos 6.12-14 descreve a realidade da luta: o pecado não deve mais reinar em nosso corpo mortal, pois já não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça. Essa ordem pressupõe duas coisas ao mesmo tempo: a realidade da luta, e o fato de que o pecado já não exerce sobre nós o domínio que exercia antes. Filipenses 2.12-13 mantém as duas verdades unidas sem contradição: “efetuai a vossa própria salvação com temor e tremor, porque é Deus quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” O crente trabalha porque Deus já está operando. Gálatas 5.16-17 descreve o conflito interior entre a carne e o Espírito como parte normal, não excepcional, da vida cristã. 2 Coríntios 3.18 descreve o alvo: somos transformados, de glória em glória, na mesma imagem, pelo Espírito do Senhor. Quanto à preservação, João 10.28-29 registra a promessa do próprio Cristo: “dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão” — o Pai, que é maior que todos, também as guarda. Romanos 8.29-30 traça a cadeia que não se quebra: os que Deus predestinou, chamou; os que chamou, justificou; e os que justificou, também glorificou. E 1 Pedro 1.3-5 confirma que os crentes são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação que está preparada para ser revelada.
Diante disso
Diante disso
Negar a santificação progressiva separaria aquilo que Deus não separa — como se alguém pudesse ser declarado justo e permanecer inteiramente indiferente à santidade. Mas negar a perseverança de Deus deixaria a mais preciosa das promessas dependente da força inconstante do próprio crente. E ninguém, olhando honestamente para si mesmo, teria certeza de chegar até o fim. Diante da verdade que confessamos, porém, a resposta apropriada não é nem complacência, como se a santidade não importasse, nem ansiedade, como se tudo dependesse do nosso esforço solitário. É, antes, perseverança confiante: lutamos contra o pecado precisamente porque sabemos que não lutamos sozinhos, e prosseguimos porque aquele que nos chamou é fiel. É também esperança — porque a obra que Deus começou numa vida antes morta não vai parar na metade do caminho. Quem foi chamado, justificado, unido a Cristo e vem sendo santificado será, um dia, plenamente conformado à imagem do Filho. A obra que começou em graça termina em glória.