A Obra Que Ele ConsumouFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
Cristo ressuscitou — mas não ficou na terra. Por quarenta dias, Ele apareceu vivo aos discípulos, comeu com eles, deixou-se tocar. E então partiu. Essa partida, porém, não foi um afastamento nem o fim de Sua obra. Foi uma entronização: o Filho encarnado, que havia morrido e ressuscitado, subiu ao céu e foi exaltado à direita do Pai como Senhor sobre todas as coisas.
A Verdade Que Confessamos
Confessamos que Cristo, depois de Se manifestar vivo aos discípulos, ascendeu corporalmente ao céu e foi exaltado à direita do Pai. Essa ascensão não é apenas o encerramento de Sua presença física entre nós; é exaltação e entronização messiânica. Como Filho eterno, Cristo sempre reinou com o Pai — a ascensão não Lhe concede uma soberania que Ele não tivesse. O que acontece aqui é distinto: o Filho encarnado, nosso Mediador, que Se humilhou até a morte de cruz, é agora exaltado em Sua humanidade glorificada e entronizado como Rei. Ele não deixou de ser homem ao subir — permanece, para sempre, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem —, mas Sua humanidade passa a compartilhar, de modo novo e visível, a glória que sempre foi Sua como Filho de Deus.
Fundamento Bíblico
A ascensão, como as verdades anteriores, repousa sobre um argumento que une profecia, evento histórico, significado teológico e propósito.
Muito antes da ascensão, Davi já havia profetizado a entronização do Messias: “Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Salmo 110:1, NAA). Esse salmo ocupa um lugar central na maneira como o Novo Testamento interpreta a exaltação de Cristo.
O evento em si é registrado com precisão: “tendo dito essas coisas, foi elevado às alturas, vendo-o eles, e uma nuvem o encobriu, ocultando-o dos seus olhos” (Atos 1:9, NAA). Os anjos que ali apareceram não deixam dúvida de que essa partida corporal também terá um retorno correspondente: “Esse Jesus, que dentre vós foi levado para o céu, virá do modo como o vistes subir ao céu” (Atos 1:11, NAA).
Paulo explica o alcance dessa exaltação: Deus “operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos lugares celestiais, muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio… e pôs todas as coisas debaixo dos seus pés” (Efésios 1:20-22, NAA). Não existe autoridade, visível ou invisível, que esteja fora do senhorio do Cristo exaltado — e esse reinado não pertence apenas ao futuro: Ele reina agora. Por isso, diante dEle, “se dobre todo joelho… e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor” (Filipenses 2:10-11, NAA). O mesmo Cristo que Se humilhou até a morte de cruz é Aquele diante de quem toda a criação se curvará.
Essa exaltação também teve um propósito que se cumpriu de forma visível. Foi Ele mesmo quem disse aos discípulos: “convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16:7, NAA). Sua partida não deixou a igreja abandonada: exaltado à direita do Pai, Cristo derramou sobre Seu povo o Espírito prometido. Pedro explica esse cumprimento em Pentecostes: Jesus, “exaltado pela destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que agora vedes e ouvis” (Atos 2:33, NAA). A promessa, a ascensão e o dom do Espírito formam uma única sequência: Cristo prometeu, subiu, foi exaltado e derramou o que havia prometido.
E há ainda outro significado nessa entronização: Cristo, “depois de ter feito a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hebreus 1:3, NAA). Esse assento contrasta com o serviço constante dos sacerdotes do Antigo Testamento, que ficavam diariamente em pé, “oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados” (Hebreus 10:11, NAA). Cristo, ao contrário, “oferecendo um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus” (Hebreus 10:12, NAA), “porque com uma só oferta tornou perfeitos, para sempre, os que estão sendo santificados” (Hebreus 10:14, NAA). Ele Se assentou porque Seu sacrifício não precisa ser repetido. A obra de expiação foi consumada; o Rei-Sacerdote está entronizado.
Profecia, evento, exaltação, propósito, consumação: a ascensão não encerra a obra de Cristo — ela a coroa.
Diante disso
Se essa verdade for reduzida a uma simples partida, perdemos a certeza de que Cristo reina agora, hoje, sobre toda autoridade visível e invisível. O mundo continuaria parecendo entregue ao caos, sem rei nem rumo — mas o trono não está vazio.
O que essa verdade exige de nós é reverência e confiança. Reverência, porque Aquele que andou entre nós em humilhação está agora exaltado à direita do Pai como Senhor sobre todas as coisas. Confiança, porque esse mesmo Senhor reina hoje, e nenhuma autoridade, por maior que pareça, está fora de Seu governo. Ele não subiu para Se distanciar de nós. O Cristo que morreu, ressuscitou e foi exaltado reina agora à direita do Pai. Mas estar assentado no trono não significa estar inativo. O que Ele faz ali em favor dos Seus?