A Igreja Que Ele EdificaFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
A Igreja não existe para si mesma. Cristo não chamou seu povo para se fechar em segurança, mas o enviou ao mundo — assim como ele próprio foi enviado pelo Pai.
A Verdade Que Confessamos
A Igreja é um povo enviado. Assim como o Pai enviou o Filho ao mundo, Cristo envia sua Igreja a esse mesmo mundo para testemunhar do evangelho e fazer discípulos de todas as nações. Essa missão não nasce da Igreja nem pertence apenas a alguns especialistas: foi confiada por Cristo ao seu povo, que anuncia essa mensagem e vive de modo coerente com ela.
A Igreja cumpre essa missão tanto em sua proclamação e formação de discípulos quanto por meio de seus membros, que vivem como testemunhas de Cristo nas vocações e lugares em que Deus os colocou. Ser enviado não é uma atividade adicional da vida da Igreja; faz parte de sua vocação enquanto aguarda a volta de Cristo.
Fundamento Bíblico
Jesus estabelece o padrão antes de dar a ordem: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20.21). A Igreja não inventa sua missão — ela a recebe daquele que foi enviado pelo Pai e que agora envia seus discípulos como suas testemunhas.
Essa mesma ordem aparece de forma explícita na Grande Comissão: “toda a autoridade me foi dada […] portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.18-19). Fazer discípulos envolve mais do que obter uma profissão inicial de fé: Cristo ordena que sejam batizados e ensinados a guardar tudo o que ele ordenou (vv. 19-20). A missão, portanto, não termina quando alguém ouve o evangelho; ela visa pessoas incorporadas à vida de discipulado sob o senhorio de Cristo. E essa missão é sustentada do início ao fim pela promessa daquele que a ordenou: “eis que estou convosco todos os dias” (v. 20). Atos 1.8 acrescenta o alcance geográfico e a fonte de poder: “recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” A missão começa perto e se estende até os confins da terra.
Jesus também descreve seus discípulos como “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5.13-14). Eles não são chamados a desaparecer do mundo, mas a viver nele de modo que suas boas obras sejam vistas e o Pai seja glorificado (v. 16). Pedro retoma essa mesma lógica ao exortar os cristãos a manterem exemplar o seu procedimento entre os gentios. Assim, observando suas boas obras, estes glorificam a Deus (1 Pedro 2.12). O testemunho cristão, portanto, envolve tanto a mensagem que proclamamos quanto a vida que deve ser coerente com ela.
Diante disso
Diante disso
Se a Igreja perder de vista essa vocação, ela se torna um clube fechado, preocupado apenas em se conservar. Uma Igreja que só olha para dentro trai a vocação que recebeu de Cristo, e priva o mundo daquilo que somente ela pode oferecer: a notícia de que Deus reconciliou pecadores consigo por meio de Cristo.
Levar essa vocação a sério muda como o cristão vive cada dia comum. Não é preciso abandonar a própria vizinhança ou profissão para ser enviado — é preciso vivê-las como lugar de testemunho. Isso pede coragem para falar quando a ocasião se apresenta, e integridade para viver de um jeito que sustente o que se fala. O povo que Cristo formou e uniu a si mesmo não foi chamado a guardar essa vida para si, mas a testemunhar daquele que o salvou — perto e longe, até os confins da terra.