O Dia em Que Ele VoltaráFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
Este é o horizonte para onde toda a Escritura aponta. Cristo voltou, os mortos ressuscitaram, o juízo revelou a justiça de Deus — e a história não termina em ruína, mas em restauração. O mesmo Deus que fez os céus e a terra no princípio promete renová-los no fim, e com eles, tudo o que a queda distorceu.
A Verdade Que Confessamos
Deus renovará toda a criação. Não a abandonará para substituí-la por uma realidade sem continuidade com aquilo que criou, mas a libertará da corrupção e da morte, conduzindo-a à realidade dos novos céus e da nova terra, onde habita justiça. Nessa criação renovada, Deus habitará com o seu povo, e tudo o que a queda trouxe — morte, choro, dor, maldição — será definitivamente removido. A obra de Cristo alcança, assim, não apenas as almas e os corpos dos remidos, mas o próprio cosmo que geme sob o peso do pecado desde Gênesis 3.
Esta confissão não descreve em detalhe como se dará essa transformação, nem sua relação cronológica com os demais eventos do fim, questões sobre as quais cristãos fiéis discordam. O que a igreja sempre confessou é o suficiente: o fim da história não é o fim do mundo material, mas sua redenção completa.
Fundamento Bíblico
Paulo já enxergava esse horizonte na criação gemendo ao seu redor. Ele escreve que a própria criação aguarda ansiosamente a revelação dos filhos de Deus, pois foi sujeita à frustração na esperança de que também ela seria libertada da escravidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Romanos 8:19-21). A redenção que alcançará plenamente os filhos de Deus não deixará para trás o mundo que eles habitam. A criação que compartilhou os efeitos da queda também participará da liberdade que acompanhará sua glorificação.
Pedro anuncia esse mesmo horizonte com outras palavras. Apesar da linguagem solene de juízo que cerca essa promessa, o horizonte para o qual ele aponta são novos céus e nova terra: uma criação finalmente marcada pela justiça de Deus (2 Pedro 3:13).
João recebe a visão mais plena dessa promessa. Ele vê um novo céu e uma nova terra, e ouve uma grande voz dizer que o tabernáculo de Deus está com os homens, que Deus habitará com eles, e eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles. Deus enxugará dos olhos deles toda lágrima; não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram (Apocalipse 21:1-4). E então, aquele que estava assentado no trono declara: “eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5). Essa é a última palavra de Deus sobre sua criação — não abandono, mas renovação completa.
Diante disso
Negar a renovação da criação reduz a esperança cristã a um escape espiritual do mundo material, como se a matéria fosse problema a ser descartado, e não parte da obra de Deus a ser redimida. Isso contradiz o próprio testemunho de Gênesis, onde Deus chamou sua criação de boa, e esvazia o sentido da encarnação, em que o Filho eterno assumiu verdadeira humanidade e não a abandonou depois da ressurreição. Se o fim da história fosse apenas a fuga da matéria, a obra de Cristo teria alcançado menos do que a queda estragou.
Mas a promessa é maior que o estrago. O mesmo Deus que criou tudo o que existe promete renová-lo, e essa promessa sustenta a esperança do crente diante de um mundo ainda marcado pela dor, pela injustiça e pela morte. O sofrimento presente, por mais real que seja, não é a palavra final sobre a criação de Deus — é dor de parto, não agonia sem sentido. Por isso a igreja não vive em resignação diante do mundo quebrado, nem em fuga dele, mas em esperança. O Cristo que voltará, que ressuscitará os mortos e julgará o mundo com justiça fará também novas todas as coisas. E o povo de Deus habitará em sua presença, numa criação livre da maldição, onde não haverá mais morte, luto, choro ou dor.
Deus habitará com o seu povo, e assim será para sempre.