Fundamentos da Fé Que Nos Foi EntregueO Deus Que É

Os Atributos de Deus

Já confessamos que há um só Deus, e que esse Deus subsiste eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Mas conhecer que Deus existe e que é Trino ainda não responde a uma pergunta igualmente necessária: como é esse Deus em Si mesmo? A Escritura não nos deixa imaginar Deus à nossa maneira. Ela revela…

Por Redação5 min de estudo

Já confessamos que há um só Deus, e que esse Deus subsiste eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Mas conhecer que Deus existe e que é Trino ainda não responde a uma pergunta igualmente necessária: como é esse Deus em Si mesmo? A Escritura não nos deixa imaginar Deus à nossa maneira. Ela revela Seus atributos — o que Ele realmente é.

A Verdade Que Confessamos

Deus existe por si mesmo e de nada depende. Ele é eterno, imutável, onisciente, onipotente e onipresente. Não está sujeito ao tempo. Não muda. Não ignora nada, nem encontra limite para Seu poder ou para Sua presença. E Deus é perfeito em Seu caráter: Ele é bom, amoroso, justo, misericordioso, sábio e fiel — e é perfeitamente santo em tudo o que é e em tudo o que faz.

Esses atributos não descrevem partes de Deus, como se Sua eternidade fosse uma coisa, Sua santidade outra, e Seu amor, ainda outra. Descrevem o único Deus, de maneiras diferentes e complementares. Conhecer os atributos de Deus não é reunir uma lista de fatos sobre Ele. É conhecer quem Ele verdadeiramente é.

Fundamento Bíblico

A Escritura começa por afirmar que Deus não recebe Seu ser de nenhuma outra fonte. Quando Moisés pergunta Seu nome, a resposta aponta para essa independência: “Eu Sou o que Sou” (Êx 3.14, NAA). Tudo o que existe depende de Deus para existir; Deus não depende de nada. Essa mesma natureza é eterna, sem princípio nem fim — “antes que nascessem os montes, ou fosses gerada a terra e o mundo, desde a eternidade e até a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2, NAA) — e imutável em seu ser, caráter e propósitos: no Pai das luzes “não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17, NAA). Essa constância não significa indiferença às circunstâncias humanas. A Escritura descreve Deus respondendo de maneiras diferentes conforme os homens se arrependem ou persistem no pecado. Mas quem Deus é, Seu caráter e Seus propósitos eternos permanecem os mesmos.

Deus também não conhece nenhuma das limitações próprias da criatura. Seu entendimento “é incalculável” (Sl 147.5, NAA). Seu poder não encontra obstáculo, como Ele mesmo pergunta a Jeremias: “Acaso, há alguma coisa demasiadamente difícil para mim?” (Jr 32.27, NAA). Sua presença não conhece fronteira, como confessa o salmista ao percorrer os céus, o Sheol e os confins do mar sem encontrar lugar algum onde Deus esteja ausente (Sl 139.7-10, NAA).

Mas conhecer a grandeza de Deus não bastaria se não conhecêssemos também Seu caráter. Ao passar diante de Moisés, o próprio Deus Se proclama: “o Senhor, o Senhor, Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em amor e fidelidade, que usa de amor para com milhares, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, mas que não inocenta o culpado” (Êx 34.6-7, NAA) — bondade, amor, fidelidade e justiça, todos afirmados por Deus sobre Si mesmo, na mesma proclamação. João resume esse caráter em três palavras: “Deus é amor” (1Jo 4.8, NAA). O salmista declara que “justiça e juízo são a base do teu trono” (Sl 89.14, NAA). Paulo se rende diante da “riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus” (Rm 11.33, NAA). A Escritura proclama igualmente a absoluta santidade de Deus: diante de Seu trono, os serafins clamam com extraordinária ênfase: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.3, NAA). Deus existe por Si mesmo, é eterno e imutável; não conhece as limitações da criatura; e é perfeito em tudo o que é — bom, amoroso, justo, misericordioso, sábio, fiel e santo.

Diante disso

Distorcer os atributos de Deus é, na prática, adorar um deus diferente daquele que existe. Um deus menor, moldado à imagem de nossas expectativas — não o Deus que Se revelou. Um deus que muda em Seu caráter ou em Seus propósitos, que ignora algo, limitado em poder ou ausente em algum lugar, ou que possui grandeza sem bondade, já não seria digno da confiança absoluta que a Escritura atribui ao Deus verdadeiro. Seria apenas um ídolo mais sofisticado. Mas ídolo ainda assim.

Diante de um Deus assim — que existe por Si mesmo, é eterno, imutável, onisciente, onipotente, onipresente, bom, justo, misericordioso, sábio, fiel e santo — a resposta apropriada é múltipla, como o próprio caráter de Deus. Reverência diante de Sua grandeza, que ultrapassa toda medida criatural. Adoração, diante de uma perfeição que só Deus possui. E confiança, porque o mesmo Deus cuja santidade nos convence de nossa pequenez é também o Deus cujo amor e cuja fidelidade nunca falham. Reconhecer os atributos de Deus é, no fundo, reconhecer a distinção entre o Criador e a criatura: Ele é tudo o que é em Si mesmo; nós somos tudo o que somos apenas d’Ele e para Ele.

Doutrina que forma discípulos.
Não doutrina que agrada plateias.

Cristianismo Integral Soli Deo Gloria