A Palavra Que Ele Nos DeuFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
Nenhum ser humano jamais viveu num mundo em que Deus estivesse calado. Antes de qualquer página da Escritura ser escrita, os céus já falavam, e a consciência já acusava.
A Verdade Que Confessamos
Deus se revela. Ele não é uma força distante que deixamos os filósofos adivinharem, nem um enigma que cabe a nós decifrar por conta própria. Desde o princípio, Ele toma a iniciativa de se dar a conhecer.
Essa revelação chega por dois caminhos. O primeiro é geral: pela criação e pela consciência moral, Deus manifesta sua existência, seu poder e sua glória a todo ser humano, em todo lugar, sem exceção. Ninguém nasce num vácuo espiritual. O segundo é especial: Deus falou pelos profetas, fez registrar sua Palavra nas Escrituras e, na plenitude dos tempos, revelou-se supremamente em seu Filho.
A revelação geral basta para nos deixar sem desculpa. É na revelação especial que Deus nos dá a conhecer quem Ele é e o caminho da redenção.
Fundamento Bíblico
O salmista já percebia o primeiro tipo de revelação muito antes de Paulo lhe dar nome teológico: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmos 19.1, NAA). Dia após dia, noite após noite, essa mensagem se propaga sem palavra audível e sem precisar de tradução — “não há linguagem, nem há palavras, e sua voz não é ouvida. Mas o seu som se ouve em toda a terra” (Salmos 19.3-4, NAA).
Paulo confirma essa observação em Romanos e a leva mais longe: “os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua própria natureza divina, são claramente vistos, sendo entendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1.20, NAA). O testemunho de Deus não está apenas ao nosso redor, na criação. Há também em nós uma consciência moral que acusa e defende: mesmo quem nunca ouviu falar da lei de Deus “mostra que a obra da lei está gravada em seu coração, testemunhando-lhe também a consciência” (Romanos 2.15, NAA).
Mas essa revelação geral tem um limite embutido: mostra que Deus existe, manifesta seu poder e torna evidente nossa responsabilidade diante dele, mas não mostra como um pecador pode ser reconciliado com Ele. Para conhecermos o caminho da reconciliação, era necessário que Deus falasse — e foi o que fez: “havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, falou-nos pelo Filho” (Hebreus 1.1-2, NAA). A revelação especial não é uma segunda opção para quem não percebeu a primeira. Ela nos dá a conhecer aquilo que a criação e a consciência, por si mesmas, jamais poderiam anunciar: o caminho da reconciliação com Deus.
Diante disso
Por isso, diante de Deus, ninguém pode alegar que Ele não deixou testemunho de si mesmo. Como Paulo afirma, o problema fundamental do homem não é a ausência de revelação, mas a supressão da verdade recebida.
Há um risco oposto, e mais sutil: tratar a revelação geral como suficiente, como se contemplar o céu estrelado ou seguir a própria consciência bastasse para conhecer a Deus de forma salvadora. Não basta. Quem para na revelação geral fica com um Deus de contornos vagos, um poder sem rosto, uma exigência moral sem redenção. Deus decidiu falar com palavras — por misericórdia, não por obrigação — e são essas palavras, culminando no próprio Filho, que nos permitem não apenas saber que Ele existe, mas conhecê-lo.
Ergamos os olhos para o céu e reconheçamos nele a assinatura do Criador. Reconheçamos também o testemunho da consciência: ela pode acusar, mas não pode perdoar. Para conhecer o caminho da reconciliação, precisamos que Deus fale. E agradeçamos, porque o Deus que se revelou nos céus e testemunhou à consciência não permaneceu em silêncio. Ele falou — e quis que sua Palavra fosse preservada para nós.