A Obra Que Ele ConsumouFundamentos da Fé Que Nos Foi Entregue
Nesta lição
Intercede por Nós Hoje
Cristo está assentado no trono — mas estar assentado não significa estar inativo. A lição anterior terminou com essa pergunta em aberto: o que Ele faz ali, à direita do Pai, em favor dos Seus? A resposta é esta: Ele intercede. Sua obra de expiação está consumada, mas Seu ministério em favor dos Seus continua — não mais sofrendo, mas representando.
A Verdade Que Confessamos
Confessamos que Cristo, assentado à direita do Pai, vive continuamente para interceder por Seu povo. Essa intercessão não é uma nova etapa de sofrimento, nem a repetição de um sacrifício — a obra de expiação já foi consumada de uma vez por todas. É Sua obra sacerdotal contínua em favor dos Seus, fundamentada naquele sacrifício perfeito e definitivo. Cristo é hoje nosso Sumo Sacerdote e nosso Advogado — Aquele que representa Seu povo diante do Pai, neste exato momento.
Fundamento Bíblico
O argumento bíblico aqui caminha do fundamento à aplicação pessoal, texto após texto.
A base está em Hebreus: Cristo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25, NAA). Seu sacrifício terminou; sua intercessão não. A salvação que Ele oferece não é parcial nem provisória — é total, precisamente porque Sua intercessão nunca cessa.
Esse mesmo livro explica por que essa intercessão é diferente de qualquer mediação puramente distante: “não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; pelo contrário, temos um que, como nós, foi tentado em tudo, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança, ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno” (Hebreus 4:15-16, NAA). O Sumo Sacerdote que intercede não observa nossas fraquezas de longe; Ele conhece, por experiência, a realidade da tentação e do sofrimento humanos — e, ainda assim, permaneceu sem pecado.
Paulo mostra o alcance judicial dessa intercessão, ligando-a diretamente à obra da cruz: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? Deus é quem os justifica. Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Romanos 8:33-34, NAA). Em uma única frase, Paulo resume todo o caminho que percorremos neste módulo: Cristo morreu, ressuscitou, foi exaltado à direita de Deus e agora intercede por nós. A pergunta não é retórica por acaso — nenhuma acusação pode prosperar, pois o próprio Juiz já justificou, e Aquele que morreu no lugar do pecador agora intercede por ele.
E João aplica essa mesma verdade não à salvação inicial, mas à vida diária do crente já convertido: “meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1 João 2:1-2, NAA). Sua advocacia não é uma nova expiação a cada pecado; ela repousa sobre a propiciação já realizada. A advocacia de Cristo não se limita ao início da nossa salvação; permanece uma realidade presente mesmo quando o crente tropeça e peca.
Ele intercede, compadece-se, representa e defende: o Cristo exaltado vive agora em favor dos Seus.
Diante disso
Esquecida essa verdade, nossa segurança passa a ser buscada em nossa própria constância, em vez de repousar em Cristo. Cada pecado, cada fraqueza, voltaria a parecer uma ameaça real à relação com Deus — como se a obra de Cristo tivesse ficado apenas no passado, sem alcance no presente.
O que essa verdade nos convida a fazer é aproximar-nos de Deus com confiança, mesmo na fraqueza e na queda. Não porque o pecado deixou de importar, mas porque temos diante do Pai um Sumo Sacerdote que vive em nosso favor. Cristo levou nossa condenação na cruz, venceu a morte ao ressuscitar, foi exaltado para reinar à direita do Pai e, neste exato momento, intercede por Seu povo. Nossa salvação, do início ao fim, repousa na obra que Ele consumou.